Foto: Fernando Cremonez/Origem
Sandro começou a mexer com a planta por paixão, mas, dez anos depois, o hobby é uma fonte de renda
Uma atividade que começou como paixão de colecionador, mas, depois de quase dez anos de dedicação, transformou Sandro Takemura, 45 anos, em um dos maiores produtores nacionais de rosas-do-deserto.
Na propriedade da família, que fica na Warta, distrito rural de Londrina, Sandro possui, hoje, um estoque de aproximadamente 200 mil rosas, entre mudas e plantas adultas, que comercializa para todo o Brasil.
O produtor conta que as vendas variam bastante mês a mês, mas entre agosto e setembro, quando termina o inverno e tem início a floração da rosa-do-deserto, ele chega a receber mais de 20 mil pedidos.
“E a maior parte é no atacado mesmo, são outros agricultores que compram em grandes quantidades para replantar”, acrescenta.
Vocação que vem de família
A relação de Sandro com as plantas começou logo cedo, vem de berço.
Nascido em Londrina, ele diz que a tradição no cultivo de flores acompanha a família Takemura há bastante tempo. “O meu pai já produzia flores 40 anos atrás, mas de outras espécies”, salienta.
Já as rosas-do-deserto viraram a “menina dos olhos” do agricultor há mais ou menos dez anos. Segundo Sandro, as primeiras sementes da espécie chegaram ao país cerca de 30 anos atrás, trazidas por grupos de chineses, como plantas ornamentais e sem fins comerciais.
“Eu conheci esse pessoal e comecei a cultivar, também”, recorda-se. “Decidi pesquisar mais sobre a planta, mas como ela é nova aqui no Brasil, não havia livros, eram poucas informações.”
A saída foi aprender com a experiência de outros produtores. Sandro passou a trocar ideias e informações com gente da Tailândia e da Austrália, por exemplo.
“Fiquei três anos pesquisando, estudei bem os cuidados com o manejo, o trato com a flor, o clima que ela gosta mais e, só então, comecei a vender, o que faz quatro anos”, comenta. “Não adianta entrar em um negócio sem saber direito das coisas. Por isso, esperei e percebi que tinha mercado, que era viável”, completa o agricultor.
Origem

Originárias do sul da África e da Península Arábica, as rosas-do-deserto são relativamente novas no Brasil, mas já despertaram o interesse dos aficionados por flores.
Um dos atrativos da planta é o período prolongado de floração, que dura quase um ano. “Ela começa a florescer em agosto, assim que começa a esquentar, e vai até abril. É diferente da orquídea, que dá flor uma vez por ano”, explica Sandro.
Além do caule com aparência escultural, a variedade de tons e formatos das pétalas dá um toque de beleza único à flor.
Conforme o agricultor, por conta dos cruzamentos, cada planta tem uma característica particular. “Algumas têm as flores mais escuras ou então listradas. É como uma pessoa, mesmo: ela pode até se parecer com o pai ou a mãe, mas nunca vai ser igual”, esclarece.
Sandro diz, ainda, que a rosa-do-deserto é uma planta perene, podendo viver até 200 anos caso seja bem manejada. E, quanto mais “longeva”, mais ela é valorizada.
“As mudas são vendidas a partir de R$ 3, mas temos flores de cinco anos que custam de R$ 150 a R$ 200”, completa o produtor.
Texto: Máxima Comunicação/Flávio Augusto
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