Foto: Studio Milton Dória
Hoje com 73 anos, Pedro ainda mora em uma casa bem no núcleo da mata de dois hectares
Há 40 anos, Pedro Dias Barbosa foi contratado pela antiga indústria Anderson Clayton, em Londrina, para zelar pelo patrimônio histórico e natural do Marco Zero.
O local é uma área de preservação de mata nativa, na época pertencente à indústria, nas proximidades da rodoviária. Marca o ponto onde chegou a primeira caravana da Companhia de Terras Norte do Paraná, dando origem à Pequena Londres.
Aposentado pela companhia, Sr. Pedro, mais conhecido como Pedro da Mata, hoje lá permanece aos 73 anos, morando em uma casa bem no núcleo da mata, que tem dois hectares, com a esposa e um dos filhos. Respeitado e conhecidos pelos moradores da região, ele é considerado o "guardião do Marco Zero".
Ontem e hoje
Atualmente, estão sendo erguidos os alicerces de um shopping center onde antes ficava a Anderson Clayton, em frente ao Marco Zero.
Pedro da Mata, senhor simples e muito aberto a visitantes que queiram saber de suas histórias, conta como tudo ali era diferente. Até hoje, ele guarda um quadro que mostra a companhia e a mata do Marco Zero, do outro lado da rua.
A mata do lado de cá, no entanto, permanece vistosa graças ao trabalho de Sr. Pedro. Lá estão exemplares de árvores nativas como o Pau D´Alho, a Figueira Branca, a Peroba, a Guaritá, a Burucaia, o Cedro e outras espécies raras, como o Jaracatiá.
O segredo para manter a segurança da mata é nunca deixá-la sozinha, afirma o guardião. Para isso, Sr. Pedro conta com a ajuda da esposa e do filho, quando precisa sair. "Esta é minha missão aqui. Guardar o patrimônio para que nada aconteça de mal."
É Pedro quem recebe alunos de escolas e universidades que vão visitar o Marco Zero. A eles, o guardião conta as histórias da mata. Além disso, sua rotina inclui carpir e catar o lixo do espaço.
Ele conta que, por muitas vezes, pessoas tentaram degradar a vegetação do local em busca das cascas das árvores para fazer medicamentos. "Toda árvore tem um segredo. Conforme o ferimento, ela fica triste. Dependendo do jeito que se poda, ela morre", ele ressalva. Com paciência e conversa, ele orientou estas pessoas que o procurassem para que as árvores não fossem exploradas de maneira indiscriminada.
Londrinense de coração
Pedro da Mata veio da região de São José do Rio Preto, em São Paulo. Chegou por aqui com apenas 17 anos. No início, o objetivo era apenas fazer uma visita à irmã. Mas logo ele arranjou emprego em empresa de atacado onde o cunhado trabalhava.
E então conheceu a esposa, com quem casou em 1958, na Catedral Metropolitana de Londrina - na época, ainda feita de tábuas.
Quando teve filhos, aos 33 anos, Pedro achou que deveria arranjar um emprego melhor. Foi assim que ele chegou até a companhia Anderson Clayton e, em 1971, foi encarregado de tomar conta do Marco Zero.
Mesmo com 73 anos de idade e 40 de trabalho, Pedro ainda tem um sonho: que, um dia, o Marco Zero se torne um ponto turístico com animais, trilha, tanque com carpas e visitas agendadas. "Seria um orgulho para a cidade de Londrina. O que espero e desejo é o melhor para esta nossa área verde."
Texto: Máxima Comunicação/Mie Francine Chiba
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