Foto: Agência Londrix
Cardápio de guloseimas das padarias é cheio de histórias
Fascinação das crianças, terror de quem está preocupado com
a balança, estimulador de memórias da infância em idosos, eles são exibidos nos
balcões iluminados das padarias e confeitarias. Bombas, quindins, pudins,
carolinas, queijadinhas, brigadeiros...Hummm!
Os doces de padaria antigamente eram considerados primos
ricos dos doces de bar. A primeira explicação é simples: os primeiros saíam
direto da cozinha para o balcão do estabelecimento, com prazo de validade muito
curto. Os segundos, industrializados, duravam muito tempo e podiam ser
encontrados em qualquer boteco de esquina, para alegria da garotada.
- Um dos mais antigos doces vendidos em padaria tem um nome
explosivo - bomba! -, o que faz sentido: na primeira mordida, o recheio,
geralmente de chocolate, explode na boca - comenta o jornalista Joaquim de
Carvalho.
A bomba mais tradicional é aquela coberta por chocolate e
recheada com creme de baunilha. Mas surgiram variações, como recheio de chantilly
ou chocolate, além daquelas com cobertura de chocolate branco.
Carolina
Criador do Blog do Morumbi, casado com a jornalista Denise
do Val, pai de Daniel, Pedro e Marina, Carvalho tentou descobrir a origem do
nome de outra guloseima típica das padarias, principalmente de São Paulo e do
Paraná: carolina, um tipo de bolinho semelhante à bomba (menor, com outro
formato) com cobertura de chocolate e recheio que pode variar do doce de leite
ao creme de baunilha. Não conseguiu.
- Não há uma explicação razoável. É um doce cuja paternidade
se desconhece, assim como maria-mole, outro doce que recebeu o nome de mulher -
concluiu.
A culinária brasileira, graças à diversidade cultural do
País, é farta também em doces. Alguns têm origem europeia e vieram com os colonizadores; outros têm inspiração africana e indígena;
e, claro, há aqueles que resultaram de uma adaptação de receitas para produtos
mais fáceis de se encontrar nas diversas regiões do país.
Uma curiosidade: a maioria dos doces à base de gema de ovos
é típica de Portugal. Entre os séculos 18 e 19, aquele país era o principal
produtor de ovos da Europa (e, provavelmente, do mundo). A clara era produto de
exportação, destinada à fabricação de vinho branco, como purificador, e às
alfaitarias e lavanderias chiques, onde servia para engomar os ternos elegantes
do mundo ocidental. Com tanta gema sobrando, logo as cozinheiras encontraram
bom uso.
Como se vê, o cardápio doce das padarias é cheio de
histórias.
Hoje em dia, de modo geral, esses estabelecimentos estão mais
sofisticados. Antes, ambientes assim se restringiam a confeitarias requintadas
de grandes cidades. Os doces também
ganharam mais variedade e novas aparências. Em alguns casos são verdadeiras obras de
arte. Ou melhor: tentadoras obras de arte.
Texto: Nelson Capucho - Londrix Comunicação
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