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Ouro Verde, a memória e o fogo

13/02/2012

Ouro Verde, a memória e o fogo

Foto: Agência Londrix
Incêndio destruiu prédio histórico do Ouro Verde

Em dezembro de 1952, bem na véspera de Natal, Londrina ganhou um presente de valor inestimável: foi inaugurado um luxuoso cinema, de arquitetura arrojada, em projeto assinado por Villanova Artigas.

O município vivia um clima de grande progresso, graças à cafeicultura. Assim, em homenagem a essa fonte de riqueza, o cinema foi batizado de Ouro Verde.

Quase 60 anos depois, na tarde deste domingo (12), os londrinenses foram abalados pela notícia sobre um incêndio de grandes proporções no prédio do cinema histórico. Apesar de todo o esforço dos bombeiros, o saldo da ocorrência foi triste: o fogo, de causa ainda investigada, consumiu quase tudo. O teto ruiu, as paredes ficaram danificadas e uma avaliação técnica vai definir o que realmente poderá ser reaproveitado.

No Calçadão, enquanto observavam o trabalho dos bombeiros, os londrinenses iam relembrando, entristecidos, as atrações que passaram na tela e as apresentações no  palco do Ouro Verde. 

- Quando passava filme do Mazzaropi, a fila tomava conta da Avenida Paraná [hoje, Calçadão] - lembrava um.
- A primeira vez que o Orlandino pegou na minha mão foi em uma sessão de cinema aqui no Ouro Verde - recordava-se uma mulher de aproximadamente 70 anos.

- Tinha matinê, com seriados do Zorro, do Durango Kid nos anos 60 e início dos anos 70. A gente vinha todo domingo para poder acompanhar a história em capítulos - emendava outro.

- Eu assisti a um monte de show aqui. Paulinho da Viola, Luiz Melodia, só coisa boa de um projeto chamado Seis e Meia - recordava-se o homem de meia-idade.
Pelo palco, passaram o músico Astor Piazzolla, o poeta, cantor e compositor Vinicius de Moraes, o ator japonês Kazuo Ohno, a bailarina Ana Botafogo e outras tantas estrelas.

Quando foi inaugurado, o Cine Ouro Verde contava com 1.500 lugares e, além de confortável cinema, durante muitos anos foi o único teatro da cidade. O tempo passou, Artigas tornou-se um arquiteto renomado internacionalmente. Os cinemas foram se restringido aos shoppings centers.

Adquirido pela Universidade em 1978 e tombado pelo Patrimônio Histórico Estadual, seu nome foi mudado para Cine Teatro Ouro Verde. Desde a década de 80 o teatro abriga espetáculos do Festival Internacional de Londrina (FILO) e do Festival de Música de Londrina (FML).  Em 2002, o Ouro Verde foi inserido no projeto "Velho Cinema Novo", da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, que tinha o objetivo de reformar salas de teatro e cinema com valor histórico no Estado. No ano seguinte,  voltou a funcionar com capacidade para 853 espectadores.

As perdas materiais estão sendo calculadas pela UEL. Os danos ao patrimônio histórico do Município são incalculáveis.

E o próximo capítulo do seriado sobre o Ouro Verde é uma incógnita.
 
Texto: Nelson Capucho - Londrix Comunicação
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