Foto: Studio Milton Dória
As tentações são muitas nesta época, ainda mais com o 13º salário no bolso. Mas lembre-se: o ano começa com muitas contas a pagar
Todo mundo sabe que, no final do ano, gastar mais do que o normal é uma consequência.
Afinal, são acrescidos às contas os presentes de Natal, a ceia e aquela viagem desejada.
Para completar, no início de ano, chegam as contas do IPVA e do IPTU, sem falar na matrícula e material escolar dos filhos. No fim, mesmo com o 13°, o orçamento fica apertado.
Para não começar o ano novo com os bolsos vazios, ou pior, no vermelho, o economista e professor do departamento de Ciências Econômicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Antônio Nogueira, dá algumas dicas para planejar e controlar bem os gastos deste período e estrear 2012 com saúde financeira.
Avalie a sua renda: antes de tudo, o trabalhador precisa definir qual é a sua renda. Considere se ela é formada por uma pessoa só, por um casal, por uma família e se é um orçamento familiar em que cada um cuida do seu dinheiro. “Não se pode gastar mais do que se ganha”, justifica o professor;
Tenha o hábito de anotar todos os gastos: de despesas como aluguel, água, luz e alimentos não dá para fugir. Mas coloque no papel tudo o que gasta no dia a dia, até mesmo os almoços fora, que são gastos excedentes. No final de mês, compare o que planejava gastar e o que realmente gastou. Se o hábito de fazer estas anotações for seguido, fica mais fácil cortar o que é supérfluo;
Pague as dívidas: se está com dívidas de cartões de crédito, cheques especiais, a recomendação é usar o 13° para pagar e começar o ano sem elas, diz Nogueira. Ele avisa que os cartões de crédito e cheques especiais são os que têm juros mais altos - cerca de 13% ao mês;
Compre alimentos de época: procure fazer as compras da ceia de Natal com antecedência, pensando sempre nos produtos de época, como o abacaxi, melancia, castanhas, que são mais baratos. "Procure fazer uma ceia mais simples, com produtos nacionais e não gastar acima do que pode", aconselha o professor;
Dê presentes pequenos, mas significativos: faça uma pesquisa de mercado, procure promoções. Lembre-se de não exagerar ao demonstrar seus sentimentos pelas pessoas queridas. O que vale em um presente de Natal não é o preço, mas o significado que ele tem. "Quem pode, dá um carro novo. Mas para quem não pode, o que importa é lembrar da pessoa";
Planeje as viagens com antecedência: as viagens exigem um bom e prévio planejamento para evitar gastos maiores. "Em viagens, não dá para tomar decisões imediatas", afirma o professor Antônio Nogueira. O ideal é fazer uma poupança destinada à viagem e fazer a compra de pacotes e passagens aéreas com antecipação. Outra dica é ficar de olho nas promoções de companhias aéreas.
Para quem pode, viajar fora de temporada sempre é a melhor opção. "Em temporada, os preços dobram", diz o professor. E cair na tentação de parcelar a viagem também pode duplicar o preço a se pagar pelo merecido descanso.
Avalie prioridades: não se deixe levar pelo dinheiro gordo do fim de ano e pelo clima natalino para comprar por impulso. Adquirir uma televisão só porque está barato ou porque a loja oferece boas condições de pagamento não é uma decisão muito sábia a se tomar.
A palavra chave, segundo o professor Nogueira, é o consumo consciente. "Tem que ter consumo consciente, comprar realmente o que precisa no momento. Quem compra por impulso está sempre endividado.”
Poupe: pelo menos uma parte do dinheiro que vem neste período de ano deve ter como destino a poupança. Além do mais, começo de ano sempre vem acompanhado do pagamento de impostos - IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) e IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) -, matrículas e material escolar.
Poupar também significa ter dinheiro para imprevistos, como médico ou eletrodomésticos caros que quebram, acrescenta Nogueira.
Em suma, nos últimos meses do ano, o trabalhador precisa reservar o seu dinheiro para três situações: pagamento de dívidas, gastos do fim e início de ano e poupança.
Se não der para poupar porque finalmente chegou a oportunidade de viajar, o professor diz que uma exceção pode ser aberta, mas avisa: "Quem quer viajar, viaje, mas não fique devendo."
Texto: Máxima Comunicação/ Mie Francine Chiba
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