Foto: Arquivo Planeta Sercomtel
Primeiro boom de verticalização em Londrina durou cerca de 20 anos, com mais intensidade entre 1950 e 1955
Mais do que ser, mas “parecer” uma cidade moderna foi o que impulsionou a construção dos primeiros edifícios de Londrina, nas décadas de 50 e 60 do século passado.
Numa época de ampla prosperidade econômica, em que o município era mundialmente reconhecido pela produção cafeeira, havia um desejo latente, sobretudo entre os grandes fazendeiros, de materializar no espaço urbano a riqueza proporcionada pelas lavouras.
Todo esse processo é retomado no livro “Idealizações de Modernidade”, da arquiteta londrinense Juliana Suzuki, lançado em outubro deste ano.
Riqueza vinda do café
Em entrevista ao Planeta Sercomtel, Juliana explica que, mesmo sem uma necessidade explícita para o processo de verticalização, Londrina queria mostrar para o restante do Brasil o progresso alcançado graças ao café.
E uma das formas encontradas foi exteriorizar essa riqueza para além das propriedades rurais, em edifícios que possuíam um forte “papel simbólico” e estavam em sintonia com o que acontecia nas principais capitais brasileiras, como São Paulo e Rio de Janeiro.
“Eles eram semelhantes aos prédios que estavam sendo construídos nessas capitais e tinham como referência nomes da arquitetura moderna, como Oscar Niemeyer”, acrescenta Juliana.
Primeiro boom
Segundo a arquiteta, o primeiro boom de verticalização em Londrina durou cerca de 20 anos, com mais intensidade entre 1950 e 1955. “Esses períodos de maior efervescência estavam associados às safras do café. Praticamente um prédio era concluído a cada ano”, comenta.
Os novos edifícios estavam concentrados na área central, próximos à Avenida Paraná, atual Calçadão. “Alguns exemplos dessa época são os edifícios Santo Antônio - o primeiro da cidade, inaugurado em 1949 -, o Autolon, o Tókio, o Sahão, o Centro Comercial”, exemplifica Juliana.
Questionada se, atualmente, Londrina passaria por um novo “surto” de verticalização, ela diz ter a impressão de que “isso realmente está acontecendo”, mas afirma que seria necessário um levantamento mais rigoroso antes de se fazer uma afirmação.
“O que me parece é que, como as áreas centrais já estão ocupadas, os atuais edifícios estão sendo construídos em novas áreas de expansão, então temos essa sensação”, observa.
“Idealizações de Modernidade”
A arquiteta ressalva que, ainda que seja derivado de sua tese de doutorado, o livro não segue uma linha estritamente acadêmica ou técnica. O objetivo da publicação, diz ela, “é resgatar e valorizar essa memória, de como os edifícios podem contar a história de uma cidade.”
Ao todo, são analisadas 29 construções, entre os anos de 1949 e 1969. No entanto, muito mais do que simples concreto, cada parede carrega em si a lembrança de uma ou mais gerações.
“O que nós queremos é que as pessoas vejam a história dos prédios e se lembrem de suas próprias histórias, de momentos que passaram ali. São muito mais que edifícios, mas um patrimônio arquitetônico muito rico e que pertence a todos”, completa Juliana.
Serviço
“Idealizações de Modernidade - Arquitetura dos Edifícios Verticais em Londrina 1949-1969”, de Juliana Suzuki, Editora Kan, 180 páginas, capa dura. Patrocínio: Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic).
Texto: Máxima Comunicação/ Flávio Augusto
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