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O Cauby já esteve aqui

25/01/2012

O Cauby já esteve aqui

Foto: Arquivo
O jornalista Apolo Theodoro, Cauby e seu “sósia” Marcos Casseta

Qual Cauby? E existe outro? O Cauby Peixoto, ora essa, olha ele aí na foto rodeado de dois fãs, na porta do banheiro da Apoteose, uma agitada casa de shows que funcionava na avenida Rio Branco, perto do jardim Sangri-lá.

Cauby esteve lá dando um show em outubro de 1995. Aliás, por falar em Cauby, não é de hoje, de tempos em tempos, ele dá um show aqui.

Considerado um dos melhores cantores brasileiros de todos os tempos, Cauby vem a Londrina desde os anos 50/60 do século passado.

Cantor de grande sucesso popular, quando vinha a Londrina para cantar numa das chiques e caras boates da zona do meretrício, espetáculo para poucos e bons de dinheiro, claro Cauby arrasava.

E arrasava não só lá: Cauby aproveitava a viagem e, numa gentil e carinhosa atenção aos muitos fãs que tinha por aqui, se apresentava nos programas de auditório da Rádio Londrina, emissora pioneira no rádio londrinense, que ficava lotado para vê-lo cantar.

Nos anos de 1970, enquanto a zona de meretrício desaparecia do nosso cenário urbano, Cauby também sumia do cenário musical brasileiro.

Cauby ficou no ostracismo até os anos 80 quando, após gravar músicas de Chico Buarque, Caetano Veloso, Roberto e Erasmo Carlos, voltou a brilhar e a ocupar na mídia o seu merecido espaço como grande cantor que sempre foi.

Mas, se a zona acabou, o bom gosto e o espírito boêmio e festeiro da cidade, não. Tanto não acabou que, como foi dito acima, ele voltou em outubro de 1995 para cantar na Apoteose.

Admirador confesso

Quando menino, de tanto ouvir minhas primas mais velhas falar dele acabei virando admirador de Cauby. Na noite do show, mais como fã do que como então jornalista/colunista da Folha de Londrina, bati lá na Apoteose para ver e ouvir Cauby ao vivo pela primeira vez nos meus 50 anos de vida na época.

Primeira vez porque, quando ele vinha aqui nos anos de 1950 e início dos 60, eu não tinha idade para entrar e, se tivesse, não ia adiantar: cadê dinheiro pra pagar programa de marajá? Na rádio Londrina, por outro lado, como entrar lá com tanta gente pra vê-lo cantar?

Na Apoteose, casa cheia, fui em busca de um bom lugar para sentar para ver de perto o show.  Antes de sentar, porém, senti vontade de ir ao banheiro.

Bendita vontade: foi chegar na porta do banheiro e dar de cara com Cauby. Surpreso, só a olhar para aquela figura brilhante e envolvente, mal abri a boca e, vindo na cola dele, já entrou em cena Marcos Casseta, este que está à esquerda do astro, cover de Cauby.

Sósia

Depois de um abraço afetuoso no ídolo, Casseta, todo cheio, contou: “Rapaz, chegaram até a me confundir com ele, teve uma moça aí que veio me cumprimentar pensando que eu era o Cauby.”

Enquanto fazia pose para a foto aí acima, olhei para Cauby e me lembrei da voz “Olha como ele está lindo aqui” das minhas primas olhando as fotos dele na revista do Rádio. Olhei de novo para aquele homem cintilante já entrado na terceira idade e, sem saber o que falar, falei:

“Cauby, você está bonito como sempre, conte o segredo pra nós que estamos ficando velhos.” Ele riu gostoso e agradecido, se ajeitou vaidosamente para entrar no salão, e receitou:

“É só cuidar bem do físico e, principalmente da mente, que tudo fica mais fácil.” Entrou para o salão onde, em poucos segundos, envolveu toda a platéia com o seu magnetismo pessoal.

Foi aplaudido de pé várias vezes. Quando cantou “El dia em que me quieras”, então, para fazer jus ao local, virou uma verdadeira apoteose, foi quando ele saiu de mesa em mesa, sempre muito solícito, cumprimentando e tirando fotos com os fãs.

Como eu já tinha tirado a minha foto com ele fiquei só olhando o brilho de Cauby até ele se despedir e ir embora. Foi, mas, para variar, voltou outra vez a Londrina para participar do Cabaré do Filo onde, com Ângela Maria, fez outro show inesquecível.

Texto: Máxima Comunicação/Apolo Theodoro
Contatos com a redação do Planeta Londrina podem ser feitos pelo fone 3339-7199    
    

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