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Ouro Verde: um cinema para a capital do café

11/01/2012

Ouro Verde: um cinema para a capital do café

Foto: Studio Milton Dória
Foram cerca de quatro anos de obras e a inauguração, em 1952, foi cercada de expectativas

Na véspera do Natal de 1952, duas semanas depois de fazer 18 anos de fundação, Londrina ganhou um presente digno de quem acabava de conquistar a maioridade: um cinema.

Mas não um cinema como os três - Londrina, Municipal e Avenida - que já existiam aqui, calorentos e desconfortáveis, e sim uma sala de espetáculo à altura da emergente elite daquela que viria a ser conhecida como a Capital Mundial do Café.

Quando o dia amanheceu naquele 24 de dezembro os primeiros moradores que chegaram ao centro da cidade foram se amontoando num dos lados da praça Gabriel Martins para ver o tal cinema tão comentado que seria inaugurado logo mais à noite. E boquiabertos eles leram o letreiro que está até hoje lá grudado no prédio da rua Maranhão: Ouro Verde.

Claro que a expectativa era grande em relação àquela obra que se escondeu por detrás de uma cerca de tapume por cerca de quatro anos e que tanto comentário despertava na cidade. Mas, como dizia Saulo Ribeiro, primeiro gerente do Cine Ouro Verde, “ninguém esperava que fosse aquela grandiosidade”. Daí os olhos arregalados da população diante daquela verdadeira obra de arte.

Tudo começou em 1948 quando Jordão Santoro, Ângelo Pesarini e Celso Garcia Cid, sócios proprietários da Autolon - Sociedade Auto Comercial de Londrina, revendedora Chevrolet, decidiram construir um grande prédio, o edifício Autolon, na esquina das ruas Maranhão e Minas Gerais.

Conversa vai, conversa vem, até que Jordão Santoro, que se autodefinia “amante do cinema”, lançou a desafiadora idéia: por que não aproveitar a sobra do terreno e construir no local o maior e mais luxuoso cinema do interior do Brasil? Ousados como sempre foram, os pioneiros não só toparam o desafio como já abriram o capital da empresa para atrair novos acionistas.  

Encarregado de por a idéia em execução, Jordão Santoro contatou o seu amigo Carlos Castaldi, que era sócio do renomado arquiteto João Vilanova Artigas num escritório de arquitetura em São Paulo. Na capital paulista, o empresário londrinense conversou com Artigas e este aceitou na hora o convite para projetar os dois prédios encomendados por Santoro: o edifício Autolon e o Cine Ouro Verde.

No entanto, como a obra prioritária era o edifício Autolon, que consumia muito dinheiro, o Ouro Verde foi sendo feito aos poucos. Mas Jordão Santoro não deixava de pensar um só minuto no cinema, fosse fazendo contatos com arquitetos para aperfeiçoar as idéias, fosse visitando cinemas chiques nas constantes viagens que fazia a São Paulo, para buscar caminhões para a Autolon, sem falar das revistas estrangeiras sobre cinema que lia com freqüência. Cada detalhe era importante para fazer do seu cinema um modelo de conforto, beleza, luxo e perfeição.

Tocada à medida que ia entrando o dinheiro, e com alguns dos sócios sempre reclamando que a construção do cinema estava consumindo muita grana, foram quatro anos entre a aprovação do projeto e a inauguração, embora o ritmo das obras tivesse se acelerado mesmo nos anos de 1951 e 1952.

Mas finalmente chegou o dia da inauguração, Uma noite de gala, uma “avant-première”, com ingresso a 200 cruzeiros - uma quantia considerável na época - cuja renda foi destinada para a construção do novo pavilhão da Santa Casa de Londrina. O filme programado para a estréia foi “Meu Coração Canta”, estrelado por Susan Hayward, Rory Calhoun e David Waine.

Num outro lance de ousadia de Jordão Santoro, o filme, technicolor, da 20th Century Fox, foi lançado simultaneamente com São Paulo. No programa de estréia também constava a exibição do documentário “Londrina, Cidade do Café”, do cineasta paulista Arnaldo Sabbagh.

Para se ter uma idéia do impacto que a inauguração do requintado cinema causou nos munícipes, até a folha de Londrina, no noticiário sobre o evento no dia seguinte, escreveu não ter encontrado “suficiente vocabulário para descrever” tudo o que viu naquela festiva e inesquecível véspera de natal de 1952. Mas isso é assunto para a próxima semana.

Texto: Máxima Comunicação/Apolo Theodoro  
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