Fale com o Planeta Sercomtel
Fechar
sexta-feira, 18 de maio de 2012 |
Página Inicial BOAS HISTÓRIAS
  • Voltar à Lista
  • Indique para um Amigo
    • Fechar
  • Aumentar Texto
  • Diminuir Texto
  • RSS Feed

Um cheiro de doce no ar

21/12/2011

Um cheiro de doce no ar

Foto: Arquivo
A fábrica funcionou num barracão da travessa Clevelândia por mais de 10 anos.


“... Com certeza eu continuaria morando ali, na mesma quadra, bem pertinho da Fábrica de Balas Ouro Verde...”

Foi assim, xeretando na Internet, lendo a escrita de uma tal “Adri”,  que a memória se atiçou e logo veio a lembrança daquela que foi uma das nossas primeiras fábricas: a Fábrica de Balas Ouro Verde.

Doces lembranças: “Aqui tinha um cheiro gostoso e agradável de mel e hortelã”, diz, saudosa, a dona de casa Rita Antonia Gomes, que mora há mais de 30 anos quase em frente do barracão nº 55, da travessa Clevelândia, que abrigou a fábrica por mais de 10 anos.

Dona Rita tem boas recordações desse tempo: “Eu era professora. Dava aula no Centro Promocional João XXIII, das irmãs Xaverianas. Trazia as crianças que moravam numa favela onde é hoje a Bratac, e para quem eu dava aula, para elas saberem como era todo o processo de fabricação das balas; depois todas saíam, felizes, alegres, com um pacotinho de balas na mão.”

Criada no início dos anos de 1950 pelo incansável Kiochi Nishizima, a Fábrica de Balas Ouro Verde começou a adoçar a vida dos londrinenses num barracão de madeira que existia na esquina das ruas Fernando de Noronha e Belo Horizonte.

Trabalho manual

Nessa época o trabalho era todo manual, ou seja, as balas eram embrulhadas, uma a uma, à mão. Na sequência a fábrica mudou para a rua Mossoró e já com uma novidade: a produção toda mecanizada.

Finalmente, com o crescimento contínuo, a Fábrica de Balas Ouro Verde se mudou para o barracão de cinco mil metros quadrados na travessa Clevelândia, próximo da avenida Maringá, num tempo em que aquela região era pouco habitada e tinha as ruas todas de terra.

A fábrica ficou naquele local de 1966 até o governo de Wilson Moreira, nos anos 80, quando, já com outro proprietário, transferiu-se para a vizinha cidade de Rolândia para onde levou todo o maquinário e o nome, que hoje é Fábrica de Balas Ouro Verde-Dori.

Mudança
Por que mudou pra Rolândia? Ora, porque o prefeito da época, Eurides Moura, doou o terreno e concedeu mais uma série de regalias para a Ouro Verde mudar-se para lá, incentivos que aqui não conseguiu.

“O novo proprietário queria ampliar a fábrica, pediu um terreno para o prefeito Wilson Moreira, mas o doutor Wilson era durão e não doou. Acho que não doou porque era um homem de visão, viu que a fábrica ia causar problema com a vizinhança como já causava aqui na Clevelândia, com a fuligem que caia nos quintais e sujava toda a roupa no varal”, conta Sadao Iwakura, 82 anos, cunhado de Kiochi e que era uma espécie de faz tudo na empresa

Muito além das balas

Morando ainda quase em frente do local onde trabalhou por muitos anos, Sadao, que entrou na empresa em 1957, conta que “era meio gerente, meio empregado, meio motorista, fazia de tudo”.

A  fábrica, lembra ele, chegou a ter cerca de 100 funcionários e , além de balas de mel e hortelã, “os carros-chefes das vendas”, também vendia, suspiro, doce de abóbora, de batata doce e chupetas.

De Kiochi ele conta que o cunhado “ficava mais na produção, era curioso, consertava qualquer máquina, só não consertava quando não dava mais pra consertar.”

Lembrando que o patrão era “muito trabalhador” e que “montou a fábrica inteira sozinho”, Sadao conta que Kiochi não aguentou tanto trabalho e, saúde abalada, vendeu a Fábrica de Balas Ouro Verde em 1976, vindo a falecer mais tarde de hemorragia, após uma cirurgia do coração.


Texto: Máxima Comunicação/Apolo Theodoro
Contatos com a redação do Planeta Sercomtel podem ser feitos pelo fone (43) 3339-7199

 

Portabilidade Numérica

SERCOMTEL INTERNET. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS

Sercomtel

sercomtel.com.br – Muito mais que telefonia