Foto: Studio Milton Dória
Onde hoje é o anfiteatro do Zerão, foi o chamado Buraco do Azevedo
Quem frequenta hoje o Anfiteatro do Zerão não imagina que aquele local já foi conhecido um dia como “Buraco do Azevedo”.
O lugar, que abrigou uma das primeiras favelas de Londrina, era considerado um oásis pela molecada dos anos 1960 e 1970, que deitava e rolava em busca de aventura.
A principal atração era um “piscinão natural”, onde as crianças costumavam passar as tardes nadando. O clima de selva também era o cenário perfeito para dar asas à imaginação da molecada, obcecada pelas aventuras do Tarzan e pelos filmes de bang-bang na TV.
“A gente não tinha onde brincar, então aquela era a nossa diversão. Os pais não conseguiam segurar. Mas não havia preocupação com a violência, pois na época não existia”, lembra o autônomo Aerton Rodrigues de Lima, que cresceu naquela região da Cidade.
Ele lembra que tinha um “buracão” e a piscina natural “era cristalina e muito bonita”.
“Mas não era todo mundo que tinha coragem de pular no piscinão, porque era muito alto”, completa o jornalista Apolo Theodoro, 63, que também freqüentou o local. “O pessoal, às vezes, pulava com uma melancia e aquilo arrebentava tudo por causa da altura”.
Apolo conta que o Buraco do Azevedo abrigou uma das primeiras invasões de Londrina, na época com “meia dúzia” de famílias. O local também tinha problemas semelhantes aos enfrentados pelas grandes cidades nos dias de hoje: entulhos e esgoto escorrendo a céu aberto.
Personagens e história
Mas, afinal, quem era o Azevedo? Mineiro de Jequitibá, José Azevedo era comerciante em Londrina - tinha uma loja na Rua Benjamin Constant, que vendia móveis na frente e frangos nos fundos.
“Para levar o nome da área, ele devia ser proprietário de uma chácara ali na região (do Zerão). Antigamente, todo mundo que chegava à Cidade comprava um pedaço de terra”, arrisca o jornalista Délio César.
O Anfiteatro do Zerão, que deu um destino ao Buraco do Azevedo, foi inaugurado em 1988. A obra foi projetada pelo engenheiro Luiz César da Silva.
O nome do anfiteatro presta uma homenagem a Jonas Dias Martins, pastor da Igreja Presbiteriana Independente, figura importante na história de Londrina.
Délio, aliás, foi o prefeito que inaugurou o Anfiteatro Reverendo Jonas Dias Martins - o Anfiteatro do Zerão. Era 30 de dezembro de 1988.
O jornalista era vice do então prefeito Wilson Moreira, e assumiu interinamente a Prefeitura naquele período. “Foi a última obra entregue no mandato”, diz.
Texto: Máxima Comunicação
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