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Taxista Helena se transforma na Mamãe Noel e leva solidariedade aos mais carentes

04/12/2011

Taxista Helena se transforma na  Mamãe Noel e leva solidariedade aos mais carentes

Foto: Studio Milton Dória
A Mamãe Noel acredita que não dá para ser feliz sem ajudar o próximo que precisa de tudo

Dezembro é mês de Natal. Tempo de confraternização com a família e com o próximo. E por isso de solidariedade.

Pensando nos necessitados, há seis anos a taxista Helena Maria de Moraes resolveu se vestir de Mamãe Noel e levar o espírito natalino à periferia.

Quando chega o dia 25 de dezembro, ela enche o porta-malas do seu táxi de roupas, doces e brinquedos e distribui em bairros pobres de Londrina.

Nascida em Formosa do Oeste, Helena chegou em 1984 a Londrina. Há 12 anos dirige seu táxi pelas ruas da cidade, mas já trabalhou em supermercados como o Viscardi e o antigo Jumbo.

Surge a Mamãe Noel

Em outubro de 2006 veio o estalo inicial. Após 45 dias internada, quando teve alta sentiu como se tivesse nascido de novo. E percebeu que precisava ajudar o próximo.

Desde então Helena consegue envolver outras pessoas que compartilham do mesmo pensamento todos os anos. Em 2010, por exemplo, recebeu tanta doação que faltou lugar para guardar dentro de casa.

“Não deu para pesar nem contar. No ano passado, os vizinhos chegaram a pensar que eu estava mudando de tanta caixa que tiramos de lá. Foi caixa atrás de caixa. Saco atrás de saco. Mas mesmo com tanta coisa,  ainda é pouco”, observa.

Ela percebe que todo ano aumenta o número de moradores nos assentamentos que visita. Como consequência, cresce a necessidade de doações. “Não tem como dar para uns e deixar outros sem. Não tem lógica. Mas com fé em Deus vamos ver o que a gente consegue”, espera.

Sorrisos e abraços

A recompensa das visitas de Natal a um ou dois assentamentos paupérrimos,  como Santa Felicidade, Santa Luzia, Santa Fé, Monte Cristo, João Turquino e Quati se traduz em sorrisos e abraços à Mamãe Noel.

“Sentir a felicidade daquele pobre, pessoas que não têm nada. A única coisa que eles têm para oferecer é um sorriso e um abraço. Nas casas o piso é de chão batido (terra). Ajudar essas pessoas me fortalece a cada dia”, revela com a voz embargada.

Mas ela também visita, durante o mês, famílias que, por intermédio de amigos, fica sabendo que está passando por necessidades. Para elas, leva roupas para adultos e doces e brinquedos para crianças.

União faz a força

As contribuições aparecem de toda parte. Clientes, amigos e gente que nunca viu. Ricos ou mesmo pobres.

Helena conta que quando chega dezembro, surge gente de todo tipo no seu ponto de táxi, em frente ao Supermercado Condor, tirando de dentro do porta-malas pacotes de balas, roupas e brinquedos.

“Não importa o que estão trazendo. Ano passado teve uma pessoa que trouxe um porta-malas cheio. Mas cheio mesmo. Ela comprou tudo novo e trouxe. É gratificante”, considera.

Dentre as lições deste trabalho, a Mamãe Noel conclui que não é possível mudar o mundo se a “pessoa não consegue fazer algo por um necessitado sequer”.

“Não tem como ser feliz sem conseguir ajudar seu irmão do lado que está precisando de tudo. É muito difícil. Faço isso para ver um mundo diferente”, diz em tom de desabafo.

Mantendo a chama acesa

Diante de tanta boa vontade, ela  ainda escuta comentários maldosos.

“Dizem que é para aparecer. Mas a chama não apaga. Se um fala mal, tem cinquenta para falar bem. Nem Jesus conseguiu agradar a todos. E não serei eu quem vai conseguir”, rebate.

“Como uma mágica”. Assim resume a taxista sobre a sensação de estar ajudando tanta gente, além de ter que superar seus próprios problemas.

 “É como se eu pudesse transformar o ambiente. Deus me deu saúde e condições, além dos amigos que ajudam. Sozinha eu não faço nada. Mas tudo isso ainda é muito pouco”.

Texto: Máxima Comunicação/Renato Oliveira
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