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O Salão de chá Fuganti marcou uma época da cidade

23/11/2011

O Salão de chá Fuganti marcou uma época da cidade

Foto: Arquivo Planeta Sercomtel
Onde hoje funciona um banco, já foi ponto de encontro dos ricos e abastados para o “Chá das Cinco”

Precursora dos shoppings e supermercados em Londrina, as Casas Fuganti eram não só o espaço comercial mais frequentado e requintado da cidade, como o local onde se podia comprar de tudo, da cueca ao sobretudo.

De prego a martelo e tachinha; de roupa a champagne e sombrinha: tinha de tudo nas Casas Fuganti, até agulha, botão e linha. E tinha mais, muito mais artefatos, jóias, relógio, sapatos; também tinha perfumes, lenços e prataria; arroz, feijão, carne seca e um mar de iguarias.

Não tinha na Fuganti, não tinha em lugar nenhum, costumava-se dizer naquele tempo, décadas de 1950/60 do século passado, em que o odor forte do café dominava o ambiente urbano de Londrina, a nos perseguir onde quer que se fosse visto não ter outro a lhe fazer concorrência, época em que o café era o bom da boca por aqui.

Salão de Chá

As Casas Fuganti, para quem não sabe, ocupavam toda aquela área onde hoje funciona o banco HSBC no centro, além de ocupar também todo aquele terreno do Complexo Empresarial Oscar Fuganti, ao lado do edifício Julio Fuganti espaço destinado à venda de ferragens, materiais de construção e mil artigos e produtos mais.

Mas, se tinha tudo isso, durante algum tempo as Casas Fuganti tiveram algo mais; algo que a diferenciava das demais casas do gênero, uma heresia num ambiente dominado pelo café: um salão de chá.

Localizado no primeiro andar do prédio, mais ou menos em frente de onde existe hoje uma banca de revista, o salão de chá Fuganti era o espaço mais chique de Londrina na virada da década de 1950 para 1960.

Coisa chique

Não se sabe se por influência da colonização inglesa, com o seu famoso “chá das cinco”, ou para copiar o requintado e “chiquérrimo” salão de chá do Mappin de São Paulo, frequentado pelos barões e baronesas do café, fosse por isso ou por aquilo, o fato é que Londrina teve um salão de chá que deu o que falar no quase sertão do Norte do Paraná.

Maria Alice Calixto Brunelli, sua cunhada Margarida Brunelli e sua amiga Therezinha Soares Santos as três frequentaram o salão de chá Fuganti nos anos dourados da Capital Mundial do Café.

Maria Alice lembra de um ambiente “muito chique, diferente, naquela Londrina barrenta de antigamente, com garçons impecáveis, muito bem arrumados, um salão grande, mesas quadradas, jogos de mesas, toalhas branquinhas, finíssimas, muito chique!”

Programa de fim de tarde

Num tempo sem televisão, o programa das famílias abastadas de Londrina, especialmente das mulheres, era ir à tardinha para lá e ficar proseando até de noite, algumas, como Maria Alice, levavam os filhos pequenos e, todos, dos adultos às crianças, muito bem arrumados.

Margarida, por sua vez, em vez de tomar o chá da tarde com a mulherada, gostava mesmo era da brincadeira ou do jantar dançante que acontecia aos sábados no salão de chá Fuganti quando as mesas eram afastadas para os cantos e se dançava das nove horas da noite à uma hora da manhã.  

Época em que música ao vivo em Londrina era só no salão do Grêmio Literário e Recreativo Londrinense, do outro lado da rua, com o maestro Gervásio na batuta, o jantar dançante do salão de chá Fuganti, segundo Margarida Brunelli, era animado por discos do roqueiro romântico Pat Boone, pela orquestra de Ray Conniff e por outros discos orquestrados americanos, sem esquecer da cuba libre e do hi-fi, bebidas que não se bebem mais.


Charme

Assim como Maria Alice, Therezinha Santos também tomou o chá da tarde no salão de chá Fuganti e diz que, embora fosse um local “charmoso”, não chegava a ser “chiquérrimo e requintado” como o Mappin em São Paulo.

Não se sabe se por mau gerenciamento, saturação ou descompasso com a realidade, seja porque motivo for, o salão de chá Fuganti teve vida breve em Londrina, no máximo cinco ou seis anos.

Para Therezinha Santos a explicação para um fim tão rápido deve-se ao fato de que “aqui não teve clima para um salão de chá como aquele, a gente já era uma cidade mais moderna, mais pra frente, o salão de chá não pegou.”



Texto: Máxima Comunicação/Apolo Theodoro
Contatos com a redação do Planeta podem ser feitos pelo fone (43) 3339-7199

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