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Professor de Londrina conta em livro a história do "Massacre de Realengo"

09/11/2011

Professor de Londrina conta em livro a história do "Massacre de Realengo"

Foto: Studio Milton Dória
Heraldo conta que desde criança buscava entender o homem e sua mente assassina e fazia isso por meio das crônicas policiais que ouvia no rádio

Para uma criança chegar ao ponto de afirmar que já teve muitos pesadelos, mas nenhum se compara ao que viveu, faz pensar que não há esperança no homem.

Esperança é uma resposta insólita, mas que o professor de Direito Penal e Processual, Heraldo Felipe de Faria, ex-repórter policial londrinense, tenta dar aos sobreviventes da tragédia de Realengo e leitores do livro-reportagem sobre um dos crimes brasileiros de repercussão internacional.

Além dos detalhes da tragédia, o livro “O Massacre de Realengo” revela o repórter policial ainda latente no professor.
Desde a infância, Faria  buscava, de alguma forma, entender o homem e a sua mente assassina, através das crônicas de policiais, que ouvia em programas que marcaram época no rádio, como o “Aconteceu”, da Rádio Atalaia.

Faria fez um recorte  de vários fatos do crime  de Realengo, Rio de Janeiro, ocorrido no dia  7 de abril, de 2011. Trinta e dois dias depois do assassinato de 12 crianças na Escola Municipal Tasso da Silveira, o livro estava pronto.

Entre os depoimentos que reuniu em duas viagens ao Rio e de matérias de jornais e internet, está o do garoto Mateus Moraes, 13 anos, poupado pelo atirador, Wellington Menezes de Oliveira, 23 anos. O menino disse que viveu o pior pesadelo da vida.

Tiro na cabeça

“Ele gritava: `Fica tranqüilo gordinho. Não vou te matar´. Ele chegava perto dos meus amigos que estavam no chão, demorava um pouco e dava tiro na cabeça, no tórax. Vi pelo menos uns sete amigos morrerem. Não sei como não morri”, disse Moraes.

Faria lembra que o massacre de Realengo não é o primeiro crime que aconteceu em uma escola, mas que a tragédia carioca, além de chocar pela violência e o número de mortos e feridos, é cercada de mistérios, que despertam a curiosidade e a imaginação.

Cartas, fotos e vídeos em que o atirador exibe armas construíram uma imagem para diversas especulações sobre as motivações do crime.

“Conversei com o pai de uma das gêmeas mortas no massacre, a Bianca Tavares, 13 anos. Ele considerou uma tragédia o que aconteceu na escola, que poderia ter como cenário qualquer outro lugar. Acha que o Wellington era um doente. Tentei fazer um documento, um retrato fiel do que aconteceu do ponto de vista jornalístico”, comenta o autor do livro, disponível no site www.livraria.brasil.net e livrarias londrinenses.

Armado com dois revólveres calibres 32 e 38, um cinto de munição e recarregadores que permitem repor as balas do tambor de uma vez, o atirador entrou nas salas do primeiro andar e começou a atirar. Depois subiu para o segundo piso e acabou se suicidando. Além dos mortos outras 12 crianças foram feridas.

A investigação concluiu que o massacre foi um ato isolado de uma pessoa com perturbações mentais.

“Me chamou a atenção que na carta que o atirador deixou, ele dizia que alguém deveria visitar sua sepultura e colocar flores. No dia seguinte ao enterro do rapaz, que foi sepultado como não reclamado, uma senhora apareceu e colocou flores na cova simples”, conta  Faria.

Mente desvirtuada

Repórter policial por 26 anos,  o autor afirma que se interessa pelo comportamento humano desvirtuado e se tornou leitor de livros  que traçam esse perfil.

“Compro livros raros,  como `Os crimes celebres do Rio de Janeiro´, primeira parte, que reúne episódios de 1820 a 1860. Paguei R$ 300,00 pela obra. Pesquiso em sites de venda de relíquias, como outro livro de 1921 que comprei e que servirá de base para o que estou escrevendo sobre  200  anos de crimes famosos no Brasil”, ressalta Faria, que também pretende contar a história de crimes londrinenses.

Texto: Máxima Comunicação/Francismar Lemes
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