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Benedito Donizete de Oliveira começou a lutar em São Paulo e hoje é porteiro de condomínio e piscineiro em Londrina
Rocky, o lutador, o mais famoso boxeador do cinema, não é páreo para o Japonês Preto, ex-lutador londrinense que venceu as dificuldades por nocaute.
Na telona, o personagem de Sylvester Stallone é sempre lembrado pela superação, mas na vida real não dá para enfrentar a história de Benedito Donizete de Oliveira.
Nos ringues e, hoje como porteiro de condomínio e piscineiro em Londrina, aliás um dos melhores limpadores de piscina da cidade, todos o conhecem pelo apelido de Japonês Preto.
Do ídolo do cinema, ele não tem a marra, mas é pura simpatia. Em comum, Japonês Preto e Rocky Balboa lutaram contra um adversário peso pesado: os obstáculos da vida.
Ao 49 anos e cinco filhos depois, o meio médio ligeiro lembra que começou a lutar ainda em São Paulo.
Taekwondo, capoeira e luta de rua foram alguns dos esportes que praticou, mas foi em Londrina, aos 26 anos, que o porteiro subiu pela primeira vez num ringue.
“Um colega meu me chamou para visitar uma academia. Fiquei empolgado e comecei a praticar boxe”, lembra Japonês, que já encarou todo tipo de trabalho, desde saqueiro a operário de fábrica.
Vivendo na rua
Lutador amador, ele foi campeão de três edições de Jogos Abertos e vice-campeão brasileiro amador duas vezes. Chegou a fazer duas lutas como profissional, mas não seguiu na carreira por falta de apoio.
Japonês trabalhava 8 horas por dia e enfrentava a rotina de 4 horas diárias de treinamento.
Considerado um lutador técnico, ele venceu três lutas por nocaute e chegou a competir na Argentina.
Fora dos ringues, Japonês enfrentou adversários impiedosos em meia década que viveu nas ruas paulistanas, mas conseguiu vencer.
“Antes de morar em Londrina, eu morei nas ruas cinco anos. Tinha uns 15 anos. Circulava pelo Brás, Praça da Sé. Na rua ninguém é amigo de ninguém. Você só encontra pessoas que levam para o caminho errado”, afirma.
Japonês se lembra do técnico Miguel de Oliveira, de Londrina, que revelou diversos pugilistas. Ele morreu em 2009. “Se eu sou alguma coisa hoje, devo ao Miguel, que não me deixava fazer coisas erradas. Às vezes, quando eu estava aperreado, ele vinha dar conselhos”, comenta o ex-lutador.
Japonês também olha para o passado nas ruas, o tempo em que era pugilista e a vida que conquistou com muita luta.
“Hoje, eu me lembro de tudo e não acredito que sou eu. Sinto orgulho de mim. Apesar de não ter nada, como muita gente, eu sou feliz”, finaliza.
Texto: Máxima Comunicação/Francismar Lemes
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