Foto: Studio Milton Dória
Ainda menino, Cláudio conheceu as drogas e a bebida; mas achou a porta de saída dos vícios e hoje sonha em fazer uma faculdade
Ele acredita que esteve abaixo do fundo do poço porque não tinha esperança de recuperação, mas soube reescrever a própria história.
Ex-viciado em drogas e bebidas, Claudio Benedito de Oliveira, 40 anos, hoje tenta ajudar quem ainda nem descobriu o melhor e o pior da vida.
“Costumo dizer que cheguei ao fundo da fossa porque se fosse o fundo do poço ainda haveria a esperança de encontrar água limpa. Porém, consegui mudar a minha trajetória”, afirma o funcionário do setor de limpeza do Hospital Universitário (HU).
A história de Oliveira passa despercebida pelos que encontram o rapaz limpando os corredores da unidade hospitalar.
É preciso esperar a correria do cotidiano dos plantões médicos, das visitas aos pacientes e preocupações com os tratamentos passar para descobrir o homem de muitos sonhos.
Oliveira não conheceu o pai, que morreu quando nasceu. A mãe sempre trabalhou como doméstica para criar os dois filhos do casal.
O zelador gosta de destacar que aos 15 anos conseguiu o primeiro emprego e se tornou um dos primeiros cobradores de ônibus londrinense menor de idade. Para trabalhar e ajudar a família parou de estudar na 5ª série.
“Ainda era um menino e já tinha a grande responsabilidade de trabalhar com o público e mexer com dinheiro. Hoje existem várias portas abertas para os jovens, mas antes, as condições eram mais difíceis”, comenta Oliveira.
De cara com as drogas
Portas que também levam para vícios. O zelador conta que, na juventude, experimentou drogas e chegou a ficar na sarjeta. O dinheiro que ganhava era para sustentar o vício.
“Num domingo, eu comecei a beber por volta das 10 horas até a tarde. Em um instante de loucura quis agredir a minha mãe e irmã. Desesperado, procurei ajuda numa casa religiosa perto do Aeroporto. Por causa do meu estado me ignoraram. Pedi a misericórdia de Deus e encontrei uma pessoa que me ajudou no processo de recuperação. Considero um milagre a minha transformação”, lembra o zelador.
Recuperado, Oliveira se casou. Hoje tem duas filhas, mas quer realizar outros sonhos. Aos 37 anos, ele voltou a estudar no Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos (Ceebja), o que lhe rendeu o apelido de Claudio Ceebja.
“O apelido veio porque lançaram para nós o desafio de lutar contra a mudança do Ceebja do centro da cidade. Nos organizamos e conseguimos impedir isso, mas o Ceebja precisa ser mais valorizado porque é uma escola especial para idosos, jovens, trabalhadores e pessoas com deficiência”, comenta Oliveira.
Palestras
O zelador realiza também projetos em escolas londrinenses ao organizar palestras com diferentes profissionais que falam sobre drogas, sexualidade, consciência ambiental, entre outros assuntos.
Oliveira concluiu o ensino médio e, atualmente, faz curso técnico em Meio Ambiente.
“O meu sonho é poder fazer um curso superior em Gestão Ambiental. Às vezes as pessoas me veem limpando o chão e não imaginam que, apesar do trabalho em zeladoria ser simples, eu não vou me acomodar. Tenho que buscar algo positivo para mim e a sociedade”, afirma Oliveira.
Texto: Máxima Comunicação/Francismar Lemes
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